Hoje em dia, existem cerca de seis milhões e meio de animais nas casas portuguesas — companheiros que integram as rotinas diárias e assumem um papel importante no bem-estar físico e emocional das famílias. Vários estudos referem que os animais contribuem para a diminuição dos níveis de triglicéridos, da pressão arterial e do risco de doenças cardiovasculares, além de reforçarem o sentimento de segurança e reduzirem o stress.
A dor da perda e o processo de luto
Quando um companheiro de longa data parte, o impacto emocional pode ser profundo. O luto pela perda de um animal é um processo natural, muitas vezes marcado por um desequilíbrio emotivo que pode durar entre seis a doze meses, consoante a pessoa e a intensidade da ligação com o animal. Com o tempo, o equilíbrio emocional tende a regressar: a dor suaviza e a habituação à ausência torna-se menos pesada, ainda que o vínculo nunca seja esquecido.
O estudo “Losing Snoopy: grieving processes after the loss of a pet”, desenvolvido por Ana Sofia Silva, Marlene Ferreira, Diogo Morais e Gonçalo Pereira, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, destaca que muitos tutores não exteriorizam o luto, talvez por a sociedade ainda não validar totalmente esta perda. Esta ausência de reconhecimento social pode levar a sentimentos de isolamento e até sintomas depressivos. O mesmo estudo indica que:
- As mulheres tendem a sofrer mais com a perda de um animal do que os homens.
- A dor é geralmente maior quando a morte ocorre de forma inesperada.
- O tipo de animal e a sua esperança média de vida também influenciam a intensidade do luto — por exemplo, perder uma tartaruga, que pode viver até 100 anos, pode ser mais marcante do que perder um animal com vida mais curta.
- Ter mais do que um animal pode ajudar a suavizar o impacto emocional da perda.
Quando pedir ajuda
É natural sentir tristeza após a morte de um animal de estimação. Contudo, se os sintomas de dor e sofrimento se prolongarem para além dos 12 meses, é aconselhável procurar acompanhamento psicológico. Cuidar da saúde emocional é essencial para ultrapassar o luto de forma saudável.




