Olhar de culpa: será que os cães sentem mesmo remorsos?

Olhar de culpa: Será que os cães sentem mesmo remorsos?

Ago, 2016

Quem nunca apanhou o seu cão com aquele “olhar de culpa”?
Orelhas para trás, cabeça encolhida, rabo entre as pernas e aquele ar que parece dizer: “Eu sei que fiz asneira…”

Mas será que é mesmo culpa o que o cão está a sentir? A ciência diz que não é bem assim.

A verdade por trás do “olhar de culpa”

O que muitos interpretam como remorsos caninos é, na verdade, uma resposta ao comportamento do tutor — e não um sentimento consciente de culpa por uma acção específica.
A expressão triste ou submissa surge frequentemente após uma repreensão, e não necessariamente ligada à acção “errada” que o cão cometeu.

Por isso, em vez de lhe chamarmos “olhar de culpa”, talvez devêssemos chamar-lhe “olhar de apaziguamento”.
É como se o cão dissesse: “O meu humano está chateado… se eu parecer triste, talvez se acalme.”

Emoções secundárias: uma linha difícil de traçar

Embora saibamos que os cães sentem emoções como medo, alegria ou ansiedade, ainda não há evidência científica robusta de que consigam sentir emoções mais complexas, como culpa, orgulho ou ciúmes — as chamadas emoções secundárias.

O que os cães parecem aprender é que certos comportamentos provocam reacções negativas, e acabam por desenvolver respostas submissas para evitar conflitos — mesmo sem associarem directamente esse comportamento a uma noção de “certo” ou “errado”.

O que fazer, então?

Se o seu cão destruiu um chinelo ou fez chichi no tapete, evite castigá-lo após o momento.
Os cães vivem no presente — e ligar uma acção passada à punição actual é algo que raramente conseguem fazer.
Em vez disso:

  • Reforce os comportamentos positivos no momento certo;

  • Use treino com reforço positivo;

  • E, acima de tudo, mantenha a paciência.

O “olhar de culpa” pode derreter corações, mas não é confissão — é apenas uma tentativa de manter a paz consigo, quem ele mais ama.

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